Você já pensou em ter o seu próprio negócio, porém é tanta ideia que não sabe por onde começar? O pontapé inicial deve ser a modelagem do seu negócio!

Porém, antes da modelagem, é preciso entender a importância de fazê-la. De acordo com o Sebrae, praticamente 1 a cada 4 empresas acabam fechando suas portas antes do segundo ano de existência. Os motivos levantados pelos empreendedores costumam ser falta de capital, falta de lucro e, sem dúvidas, descuido de planejamento.

Negócio próprio é um investimento!

É de extrema importância entendermos que o negócio próprio, seja ele uma loja, uma fábrica ou uma prestação de serviços, é um investimento. E, mais do que isso, é um investimento de alto risco.

Nas finanças, uma das principais relações que existem é a do Risco com o Retorno. Estes dois caminham sempre de mãos dadas: quando tem se um baixo risco, o retorno esperado é baixo, como acontece, na maior parte das vezes, como os investimentos de Renda Fixa.

Conforme aumenta-se o risco, o retorno esperado passa a crescer, como acontece com Imóveis e Ações.

Nesta classificação, o investimento de maior risco é justamente o Negócio Próprio, podendo, justamente, ter o maior retorno esperado. Lembre-se que o negócio próprio exige os recursos, tempo, dinheiro e conhecimento.

Você pode estar se perguntando: “como minimizar este risco para buscar a boa rentabilidade?”. Não há uma fórmula mágica para isso, porém, fazer um planejamento é de extrema importância, pois você estará levantando todas as variáveis, criando metas e definindo um plano de ação a ser cumprido.

A importância do planejamento

Para fazer o planejamento, você precisa partir de uma ideia. Mas lembre-se que todo mundo tem ideias o tempo todo, o ponto-chave é como transformar uma ideia em um projeto. Até algum tempo atrás, a melhor forma de fazer este processo era por meio do Plano de Negócios.

O Plano de Negócios, nada mais é, do que um documento escrito que visa dar a forma ao negócio, composto por um sumário executivo, descrição do negócio, análise do mercado, definição do público-alvo, análise da concorrência, posicionamento estratégico e análise de risco, plano de marketing e vendas, plano financeiro, plano estratégico, operações e responsabilidades.

Muita coisa, não é? O Plano de Negócios costuma ser um documento bem completo, que leva um bom tempo para ser elaborado, e, para cada validação, fazer as alterações na estrutura não é uma tarefa simples.

Estes pontos acabaram virando uma dor para os empreendedores. Falta de tempo, estrutura engessada e a falta de dinamismo faziam com que muita gente deixasse o planejamento de lado e partissem direito para pôr o negócio para rodar, porém, como vimos, isto poderia ser um tiro no pé.

Guia Definitivo de Gestão de Empresas

Business Model Canvas: a ferramenta para modelagem de negócios

Foi a partir destas dores que os empreendedores Alexander Osterwalder e Yves Pigneur se juntaram com outras 470 pessoas, de 45 diferentes países, para criar o Business Model Canvas, uma ferramenta de planejamento estratégico que permite desenvolver e esboçar modelos de negócios.

A principal diferença do Canvas para o Plano de Negócios tradicional é em sua estrutura. Enquanto o Plano de Negócios acabava se parecendo mais com uma tese acadêmica, com páginas e páginas de textos, o Canvas passou a utilizar uma única folha e alguns post-its, dividida em nove blocos, cada um deles relacionados à pontos essenciais para modelagem do negócio:

  • Segmento de Clientes: ajuda os empreendedores a definirem quais os públicos que o negócio deseja atender;
  • Proposta de Valor: podemos dizer que esta é a espinha dorsal do Canvas. É este bloco que mostrará o que é deseja-se entregar aos clientes, quais problemas serão resolvidos e quais os grandes diferenciais que agregam valor ao negócio;
  • Canais: este bloco ajuda a responder como os produtos e serviços chegarão aos clientes;
  • Relacionamento com Clientes: aqui definem-se as estratégias para conquista de novos clientes e fidelização;
  • Fontes de Receitas: este bloco mostra como serão as entradas de dinheiro no negócio;
  • Atividades-chave: neste bloco são definidas quais as principais atividades necessárias para o funcionamento do negócio, de modo a entregar a proposta de valor para os clientes;
  • Recursos-chave: neste bloco são definidos quais são os principais recursos necessários para possibilitar a realização das atividades-chave, sejam eles físicos, financeiros, humanos ou até intelectuais;
  • Parceiros-chave: muitas vezes, o negócio não consegue internalizar tudo, por isso, acaba precisando da ação de terceiros. Por isso, os parceiros-chave são uma forma que o negócio pode ter um grande apoio em algumas das atividades e recursos necessários;
  • Estrutura de custos: neste bloco são identificados os principais custos necessários para viabilizaram a realização das atividades-chave.
canvas negocios

Fonte: Sebrae


Os blocos acabam tendo uma relação entre eles, mostrando que o negócio precisa ter um mesmo rumo. E a grande vantagem do Canvas é na praticidade em validar o negócio e já relizar os ajustes. Alterações são mais do que comuns ao longo do processo, e, com o Canvas, o processo pode ser muito mais eficiente.

Fica como dica de leitura o livro Business Model Generation, escrito pelos próprios criadores do Canvas, explicando como a metodologia e a ferramenta funcionam.

Derivações do Canvas

O próprio Business Model Canvas possui algumas variações, em função das necessidades que os empreendedores foram percebendo. Umas das principais é o chamado Lean Canvas.

Este foi criado pelo empreendedor Ash Maurya, que substituiu 4 dos 9 nove blocos do modelo original, buscando trabalhar aspectos de maior risco na criação de novos negócios.

As alterações foram:

  • Proposta de Valor Única no lugar de proposta de valor: neste bloco, é importante definir qual é o slogan do produto/serviço ou a principal característica que o torna diferente;
  • Vantagem Injusta no lugar de relacionamento com clientes: este passa a ser o último bloco para preenchimento. É levantado algo que não pode ser copiado ou comprado por outros;
  • Solução no lugar de atividades-chave: neste bloco, são listadas o menor conjunto de funcionalidades que possibilitam a entrega da proposta de valor única;
  • Métrica-chave no lugar de recursos-chave: são descritas as principais ações e métricas que suportam a geração de receitas ou a retenção de clientes;
  • Problema no lugar de parceiros-chave: é uma descrição dos 3 principais problemas que o negócio busca resolver.

No final das contas, percebeu-se que o Business Model Canvas tem mais efetividade em negócios já existentes, enquanto o Lean Canvas passa a ser mais indicado para novos negócios, que ainda não testaram suas hipóteses.

Planejamento feito, paro por aqui?

Elaborar um planejamento exige bastante esforço, tanto de tempo, quanto de conhecimento e criatividade. Porém, é muito comum esse esforço ser desperdiçado, em casos que o planejamento é feito, entretanto, nunca mais se olha para ele.

O planejamento de um negócio, seja ele novo, seja algo que já está rodando, deve ser feito de maneira cíclica. O ciclo PDCA é uma excelente forma de ter essa visão: primeiro faz-se o planejamento (Plan) → na sequência são feitas as execuções (Do) → checagens dos resultados (Check) → por último aparecem as ações (Act).

Fechando o ciclo, repete-se a etapa de planejamento, e assim sucessivamente.

Portanto, se você quer que o seu negócio (ou potencial negócio) deem bons resultados, utilize o planejamento como um grande aliado!