O WhatsApp Pay é o assunto do momento quando se fala em finanças. Trata-se de uma nova possibilidade de pagamento através do próprio aplicativo.

Mas ainda há várias dúvidas sobre os prós e contras dessa novidade e ainda poucos parâmetros de análise, já que o WhatsApp Pay ainda não está disponível.

O que sabemos é que o WhatsApp anunciou um teste para essa nova funcionalidade no Brasil. Na prática, será possível realizar os pagamentos sem o auxílio de outros aplicativos.

Há expectativas de que o WhatsApp Pay seja benéfico principalmente para autônomos e microempreendedores, que já divulgam e vendem seus produtos e serviços com auxílio de aplicativos como o WhatsApp.

Por outro lado, essa funcionalidade já foi suspensa e liberada novamente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Banco Central está acompanhando de perto sua implantação no país.

Neste artigo, vamos explicar tudo o que já se sabe sobre esse novo meio de pagamento e como ele pode ajudar os pequenos negócios.

Nos tópicos a seguir, você vai entender melhor quais são os planos para o funcionamento do WhatsApp Pay e como se dará a cobrança das taxas.

Com o WhatsApp Pay o aplicativo vira uma instituição financeira?

Há especulações que comparam o WhatsApp a um banco ou [fintech](/o-que-e-uma-fintech/), em virtude do anúncio do WhatsApp Pay. Porém, não é bem assim.

Tomando como parâmetro as informações divulgadas até o momento, é muito mais apropriado comparar o WhatsApp Pay com aplicativos como o Apple Pay ou o IFood do que com uma instituição financeira.

Ainda que a possibilidade de efetuar pagamentos e transferências sem sair do aplicativo de mensagens seja considerada um divisor de águas na história do Facebook (que controla também o Instagram, além do WhatsApp), a proposta não chega a ser tão ousada.

O WhatsApp não vai virar um banco. Vai apenas ofertar a possibilidade de realização de pagamentos digitais mobile.

Isso porque sua intenção, por enquanto, está longe de ser o oferecimento de crédito, característica comum às instituições bancárias.

A ideia é apenas a de movimentar o dinheiro de uma pessoa ou empresa para a outra.

Mas não deixe a palavra “apenas” te convencer de que esta novidade não é um grande negócio para o empresário Mark Zuckerberg.

O projeto é de que uma única plataforma de pagamentos possa atender a todos os aplicativos do grupo. Ou seja, futuramente provavelmente será possível realizar pagamentos pelo Instagram também.

Essa unificação potencializa uma promissora e lucrativa frente de negócios, que ainda pode ser muito expandida no Brasil, dado o número exorbitante de usuários do WhatsApp.

Por conta da popularidade do aplicativo, a oferta do WhatsApp Pay não será apenas mais uma forma de pagamento disponível no mercado, ele já chega com milhões de potenciais usuários e pode causar impacto no e-commerce e no mercado financeiro de maneira geral.

A verdade é que quanto mais funcionalidades um aplicativo oferece, mais adeptos ele pode ganhar.

Na China, um aplicativo chamado WeChat acumula tantas funções que é utilizado por uma porcentagem muito elevada da população para realizar várias tarefas ao longo do dia.

Entre suas funções, o aplicativo chinês tem as carteiras mobile com dinheiro na própria plataforma, o que afetou realmente as instituições bancárias do país.

Mas, no ocidente, aplicativos como o WhatsApp, a princípio, buscam atuar apenas como intermediários.

Para ofertar a novidade do WhatsApp Pay, o aplicativo não precisou transformar-se em uma instituição bancária, mas se associou a três delas: Banco do Brasil, Nubank e Sicredi.

As transferências poderão ser feitas inicialmente apenas entre pessoas e serão viabilizadas pela Cielo.

Com essas parcerias, o WhatsApp Pay não precisou atender a exigências legais aplicadas especificamente ao setor financeiro.

Mas os limites que estão muito claros nessa fase inicial não devem limitar a expansão das novidades ao longo do tempo. O WhatsApp Pay pode se tornar algo muito maior.

Por ver a possibilidade de prejuízos relacionados à competitividade, o Banco Central chegou a suspender o funcionamento do WhatsApp Pay no Brasil, mas o Cade já o liberou.

Contudo ainda é preciso uma resposta final do Banco Central para que o aplicativo comece a ser utilizado.

Sobre o posicionamento do Banco Central

O Banco Central divulgou um anúncio em que afirma ter estabelecido um estado de vigilância para iniciativas que possam gerar fragmentação de mercado.

Isso significa que, se a expectativa é a de que o WhatsApp Pay se torne uma instituição financeira, muitas regulamentações precisarão ser seguidas à risca.

Além disso, o Banco Central se preocupa com o impacto que a nova funcionalidade pode causar na competitividade do mercado.

Alguns dias depois do anúncio feito pelo Banco Central, o funcionamento do WhatsApp Pay foi suspenso, para ser novamente liberado em seguida.

A conclusão é de que muitos ajustes devem estar sendo feitos e de que os impactos podem ser realmente significativos.

O WhatsApp Pay e o Pix

O Pix é uma nova modalidade de envio de dinheiro desenvolvida pelo Banco Central, que permitirá a realização de pagamentos e transferências instantaneamente e a qualquer hora e dia, inclusive entre instituições bancárias diferentes.

Pode parecer que o Pix, que já começará a ser utilizado no próximo mês, é uma espécie de concorrente para o WhatsApp Pay e, talvez por isso, o Banco Central tenha retardado um pouco os planos do aplicativo de mensagens.

Mas o próprio Banco Central vislumbra a possibilidade de integração entre as duas novidades porque ambas têm seus diferenciais específicos e vão oferecer os pagamentos e transferências de maneira semelhante.

Então vai ser preciso aguardar para sabermos como vai se desenvolver esse relacionamento.

Sobre a taxa do WhatsApp Pay

A taxa que será aplicada às transações financeira feitas via WhatsApp Pay não é muito competitiva. São 3,99%, e esse é o principal ponto fraco da novidade.

Para autônomos e microempresários que não contam com outras formas de pagamento, como a maquininha de cartão de crédito, a alternativa continua sendo muito viável na gestão do seu negócio.

Mas se a pessoa ou empresa tem outras opções cujas taxas são menores, o WhatsApp Pay pode não ser a melhor forma de pagamento a ser ofertada.

Mesmo assim, o WhatsApp Pay compensa a taxa pouco competitiva com pontos fortes como a grande quantidade de usuários já acostumados ao WhatsApp e o acesso às muitas informações desses usuários que utilizam as redes sociais.

Ou seja, há prós e contras e é preciso estar atento às próximas informações que vierem à tona sobre essa nova forma de pagamento.

E se você está em dúvida sobre adotar ou não o WhatsApp Pay, recomendamos a leitura do nosso guia sobre gestão financeira, que pode te ajudar a tomar essa decisão. Até o próximo artigo.

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